quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Contorno


Toda manhã uma massa de pessoas sem nome.

Sem nome para mim, claro.

(Perdão. Todos os dias é atletismo de não centralizar-me na existência humana. Hoje ainda não o fiz.)

Toda manhã os desconhecidos.
Sujeitos paisagens são mar montanha muralha de gente.
Sujeitos paisagens lotam metrôs e avenidas.
Eles paisagem.
Eu passo apertado.

(Eu passarinho não voa em SP)

                                                       
De repente um contorno conhecido de cabeça.
Um contorno conhecido de gente que é sujeito não paisagem.
Que é gente memória gente cheiro gente voz.

A moça do andar de baixo.

Nos olhamos. Como se víssemos uma assombração.
Assombrada com ela. Ela comigo.

Como se encontrasse minha cama no vagão do trem.
Encontrar quem se conhece.
Como se encontrasse minha cama no vagão do trem.

Decidimos sorrir uma para a outra.
Oi. Oi.

Seguimos.

Um versinho aparece como contorno de palavra boba:

Quem esteve em nós, jamais nos deixa sós.

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